É muito interessante como as organizações se estabelecem numa estrutura de cargos e posições funcionais, muito adaptativas na busca do estilo ”Personalgrama” (mais em pessoas do que nos requisitos do cargo).
Tudo muito natural no mundo corporativo, pois as relações se estabelecem a partir do convívio diário com as pessoas que nos rodeiam e de onde se dá o “start” para o desafio de se criar Lideranças para gerir os negócios e outras pessoas.
Observa-se esse contexto mais acentuadamente nas empresas familiares, pois toda uma história da empresa foi assentada, ao longo do tempo, em cima dos sempre leais funcionários que iniciaram sua vida profissional junto com o empresário – empreendedor.
Percebe-se claramente ainda a relação de “estima e consideração” nessa relação, o que de certa forma é um fator substancial nas relações humanas do trabalho.
Todavia, o tempo, como “senhor da razão”, torna-se imparcial e começa a minar essa relação, pois desponta no empresário um forte desejo de mudanças na empresa, visando seu fortalecimento, principalmente quando a mesma já adentra no seu período de maturidade organizacional.
Essas mudanças, sempre muito mais acentuadas no nível de Gestão da Organização, onde os “fiéis escudeiros” do passado, hoje se posicionam na Gestão de departamentos/áreas e de pessoas, como os grandes “baluartes” do negócio que dirigem.
Porém aos olhos do empresário-empreendedor, já não são mais vistos como aqueles que “tudo solucionam e muito agregam” para a organização.
Nada disso seria incomodo se a relação do nosso ”Personalgrama” persistisse como lá do começo de nossa história.
Porém essa relação já não resiste ao tempo, que imprime as regras e as exigências para que o negócio possa prosperar, bem como os requisitos dos cargos de Gestão a serem ocupados.
O mercado (como sempre), é que demonstra sua necessidade e aí vem a questão de quem é o “ônus”, por esse despreparo funcional na Gestão e a degeneração na relação tão boa do passado?
Talvez, e como se trata de uma relação (e numa relação há sempre mais de um envolvido), o “ônus” desse desgaste, sempre será das partes envolvidas, do empresário-empreendedor pelo não desenvolvimento com primazia daquele recurso humano de valia extraordinária do passado (pedra bruta a ser lapidada).
Pelo outro lado, do atual Gestor (antigo fiel escudeiro), por não buscar a melhoria contínua através do pleno conhecimento, do desenvolvimento pessoal/profissional e principalmente pela inobservância da regra básica do Gestor em buscar servir sempre antes de se posicionar na posição de ser servido.
J. Ignácio Ambiel Filho
Administrador de Empresas – Especialização em RH – INPG
Sócio-Gerente Projetos de Remuneração na Carreira Muller





