Muito tem se falado da famigerada geração “Y” e seu desejo de crescimento na carreira e/ou na ascensão profissional tão desejada.
Compreendo que os tempos são desafiadores: de muita tecnologia, de muita informação e com tudo isso, sem dúvida alguma, amplia-se a lente desses jovens profissionais vigorosos e cheios de sonhos para a sua carreira profissional.
Acrescido a isso, há perspectivas de crescimento que nosso país atravessa: num estudo realizado pela CNI (Confederação Nacional da Indústria) em abril último, constatou-se a grande dificuldade na contratação de mão-de-obra, para agravar ainda, até 2015, o país precisará de 8 milhões de novos empregos formais – 1,9 ainda em 2011.
A partir dessas constatações e para atenuar o “apagão” de mão-de-obra, tem sido prática a contratação e/ou promoção de pessoas cada vez mais jovens, a aí como fica o fortalecimento profissional dessa geração cada vez mais nova…
Em nossas andanças pelas empresas, muito se constata também, que essa nova geração, em decorrência dessa sua intolerância, impaciência, ansiedade e ambição no crescimento profissional, tem deixado para trás alguns pontos importantes e necessários no seu desenvolvimento visando a sua fortaleza profissional.
Deparamo-nos com muitos jovens profissionais desejosos de galgar “status” profissional, porém ainda “sem a vivência” e a “profundidade de análise” para gerir os contextos que encontram pela frente, e em especial nas questões relativas às relações humanas que qualquer suposto cargo de gestão irá lhe cobrar, além do que, terá que contribuir sobremaneira das necessidades e desejos que as organizações carecem.
Todo esse quadro, também precisa ser analisado pelo prisma do ambiente em que vivemos, ou seja, parece-me que o pretexto de geração X, Y (e agora Z), é uma contextualização que tem sido utilizada para explicar a dificuldade em reter pessoas. Na Espanha, por exemplo, onde o desemprego hoje entre os jovens de 18 a 24 anos é de quase 50% (no Brasil não chega a 15%), a rotatividade é baixíssima e os jovens que conseguem um emprego fazem o máximo para mantê-lo. Aí me questiono será que não há geração Y lá e em outros países com alto desemprego? A questão é que o ambiente alterado, as pessoas simplesmente se adaptam conforme o novo ambiente.
Todavia, precisa ser enaltecido que a busca incessante da maturidade profissional é o real desafio desses jovens talentos, e que eles precisam experimentar algumas etapas prioritárias de resiliência (uma combinação de fatores que propiciam ao ser humano condições para enfrentar e superar problemas e adversidades), para que amanhã não se surpreendam pelo apagão da sua “maturidade profissional”, tão necessária para conduzir uma nova geração talentos que irá surgir logo em seguida.

José Ignácio Ambiel Filho
Administrador, Especialista em Recursos Humanos pelo INPG-Campinas
Sócio-Gerente de Projetos na Carreira Müller
ignacio@carreira.com.br



