Poucos fatores causam tantos estímulos e desestímulos do que o salário que recebemos. Essa frase potencialmente polêmica dá margens para vários seminários e por isso merece uma explicação.

Notem que usei o termo estímulo e não motivação. Entendo que o salário não seja um motivador, mas sim um estimulante. Entendo também que o mais importante não é o número em si, mas sim o posicionamento dele em relação aos demais. Chego a essa conclusão após esses 16 anos de projetos específicos nessa área, onde pude notar que:
O papel do colaborador é mais participativo, ele tem maior autonomia em suas atividades, cooperação nas decisões com seus gestores, facilidade na interação, aprendizagem, conhecem a empresa e participam dos negócios. Porém, o discurso tem que ser unido com a prática, ou seja, a gestão de pessoas tem que efetivamente acontecer na prática.
a) Existe uma lista imaginária hierárquica de salários na mente de cada colaborador da empresa. Essa lista está na mente dos executivos e não executivos. Engenheiros de pesquisa avançada e operadores de máquinas. Todos se imaginam num ponto dessa lista, porém, acham justo estarem um pouco mais acima. Quanto mais próximo estiverem do que julgam ser o ponto justo, mais estimulados (ou menos desestimulados) estarão;
b) A maior parte das pessoas tem seus próprios critérios de justiça e o usarão sempre que a empresa não os apresentarem algo mais adequado. Já trabalhei com profissionais de alto nível cultural que julgam que a fidelidade à empresa é o fator mais importante, devendo ser recompensados com salários altos. Outros, de igual nível cultural, acreditam apenas em resultados, devendo receber mais quem entrega mais e ponto final.
c) Os acionistas ou cotistas não gostam da sensação de “jogar dinheiro fora” e analisam a folha de pagamento com suas lentes tentando colocar o dinheiro no lugar certo. Empresas internacionais têm desafios ainda superiores, pois devem analisar também em função dos cargos pares em outros países;
d) Os gestores das empresas enfrentam um enorme desafio em compatibilizar tudo isso.
Como a cultura e valores da sociedade evoluem, os fatores de estímulos também se alteram e isso torna o trabalho da Carreira Müller e de todos aqueles que estudam a remuneração algo muito dinâmico.
Ao completarmos mais um ano de organização, sentimo-nos felizes e realizados em contribuir de alguma maneira para o amadurecimento das relações do trabalho, oferecendo informações e negociando conceitos que se tornam parâmetros na administração da remuneração.
Valter Robinson Carreira
Administrador, Especialista em Gestão de Recursos Humanos pela Fundação Getúlio Vargas
Sócio-Diretor de Projetos de Consultoria Organizacional na Carreira Müller
robi@carreira.com.br





